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Educação de pessoas com necessidades especiais - DOSSIE

Page history last edited by Grace Kunst 2 years, 10 months ago

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

PEDAGOGIA MODALIDADE A DISTÂNCIA

EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

PROFESSORA: LILIANA PASSERINO

POLO DE SAPIRANGA

ALUNA: GRACE KUNST

 

PRIMEIRO RELATO

 

Não posso dizer que tenha experiência com inclusão, pois a escola que trabalho existem poucas crianças com necessidades especiais e estas que estão conosco acabam ficando somente até a 5ª série, pois no momento que chegam nesta série elas acabam sendo encaminhadas para outra escolas, principalmente do município.

Desde o início do meu trabalho como professora me deparei algumas vezes com alguns alunos com alguma necessidade especial. O primeiro foi um aluno de 16 anos que estudava no IEES, na 4ª série do curso de aplicação. Era um aluno com sérios comprometimentos na fala e mentais, com dificuldades de relacionamento e extremamente agressivo.

Nesta época minha turma era pequena, tinha apenas 13 alunos o que facilitava muito trabalhar separadamente  com ele e com os outros alunos. A única coisa que ele conseguia escrever era o seu primeiro nome, pois tudo que era ensinado, devido ao seu problema ele não conseguia reter por muito tempo.

Durante o tempo em que eu trabalhava com os colegas dele ele pegava seu caderno e fazia sinais e rabiscos que lembravam letras e se concentrava como se estivesse realizando a tarefa juntamente com seus colegas, quando achava que já estava pronto ele ia até meu lugar e me mostrava e trazia para corrigir.

Seguidamente trabalhava cálculos simples com ele e utilizava palitos para fazer a contagem e ficava bem satisfeita que ele conseguia de alguma forma fazer a correspodência certa e até ter algum raciocínio lógico.

Pela manhã ele estudava comigo e na parte da tarde ele tinha atividades na APAE, ele estava em nossa turma para ter um convívio com alunos da faixa etária dele.

Tenho que dizer que na época agia por instinto, pensando naquilo que podia ser o melhor para ele mas na metade do tempo sem ter certeza se aquilo que fazia era correto ou não, por não ter nenhum preparo e principalmente nemnhuma vivência com este tipo de aluno e problema. 


 

 

 

Segundo relato

 

Trabalho em duas escola da rede estadual de ensino. Pela manhã trabalho no Instituto estadual Coronel Genuíno Sampaio com uma turma de 3ª série/8anos. E na parte da tarde com uma 4ª série/8anos na Escola Estadual de Ensino Médio La Salle de Campo Bom.

Vou falar da escola Genuíno Sampaio que é o local onde trabalho mais tempo. No Genuíno temos algumas crianças com necessidades especiais, principalmente de aprendizagem, mas pelo número de alunos da escola que são 1600 alunos, os com necessidades especiais não chegam a 10. Talvez este fato se deva pela escola estar localizada no centro da cidade e aqui na cidade a maioria das crianças com necessidades especiais acabam frequentando a rede municipal, que dá mais assistência aos portadores de deficiencias. Apesar de no discurso estas mesmas vantagens estarem abertas para as escolas da rede estadual a preferência sempre é de quem está estudando na rede municipal.

Ano passado na minha turma tive um aluno com necessidades especiais na área cognitiva, principalmente na escrita e compreensão que seguindo uma recomendação da professora do ano anterior estava frequentando o NAE e quando ele veio para mim ele ainda frequentava no turno oposto. Um dia falando comigo ele disse que não gostava de ir no NAE porque lá ele só via gente doente e com problemas e ele se sentia muito mal com isso, apesar de ele estar frequentando a sala para reforço escolar e atendimento destas necessidades cognitivas que ele tinha.

Conversando com a mãe pedi que atendesse a vontade dele e fizessemos uma experiência sem o acompanhamento do NAE, da mesma forma como foi falado com ele para que se comprometesse a estudar e fazer as atividades extras que fossem solicitadas. Foi notória a mudança de comportamento do menino, pois antes ele era introspectivo, não participava e não rendia tanto quanto passou a render depois de parar de frequentar o NAE, senti nele uma confiança maior e até a sua aparência que antes parecia mais doentia mudou, pois não vivia angustiado achando que tinha algo de errado com ele. Depois de um tempo a mâe até brincava comigo dizendo que eu tinha levado ele para o mal caminho pois agora ele estava muito diferente, mais alegre.

Este relato meio as avessas que parece não ter nada a ver com a proposta deste dossiê serve para ilustrar como uma criança com dificuldades de aprendizagem se sentia em um ambiente onde predominavam pessoas portadoras de necessidades especiais. O que me pergunto é se este mesmo sentimento e esta mesma angustia não acompanha também aquele aluno com necessidades especiais em uma turma predominantemente normal?

Quero deixar bem claro que não estou desvalorizando o trabalho do NAE, muito pelo contrário adoraria que todas as crianças que necessitam seu atendimento pudessem contar com ele, independentemente da rede escolar que estudam.

Temos aqui em Sapiranga a APAE que trabalha com aproximadamente 140 alunos portadores de necessidades especiais da mais diversas na sua própria sede, onde dão assistência clínica na área da Psicologia, Psicopedagogia, Fisioterapia (recuperação e estimulação precose), Fonoaudiologia.

Possui também a Escola Especial Recanto Esperança que oferece um espaço  onde as potencialidades são trabalhadas, respeitando o ritmo de cada um.

 Em parceria com a SMED, os alunos das escolas participam dos projetos oferecidos pela instituição e tem acompanhamento clínico e pedagógico.  Os alunos da escola especial são encaminhados para escolas regulares de acordo com a série que estão aptos a seguir. Existem  alunos em todas as séries do ensino fundamental.

Em parcerias com as escolas de educação infantil é feito um trabalho de prevenção,onde crianças que apresentam atraso no desenvolvimento participam de projetos e atendimento clínico.Crianças que frequentam o setor de estimulação precoce são encaminhadas meio período às escolas municipais de educação infantil com acompanhamento clínico de profissionais capacitados.

Através de vários projetos os alunos vão sendo incluídos e inseridos em ambientes diferente sempre recebendo o suporte no contra turno.

 


TERCEIRO RELATO

 

No relato anterior eu já havia descrito um pouco das atividades da APAE de Sapiranga, agora vou falar sobre o CAE que trabalha com os alunos na sede da APAE e insere os PNEs em vários projetos no turno oposto da escola.

 

 

PROJETO ESPORTE:

Tem como objetivo,dar aos alunos a possibilidade de vivenciarem alguns desportos ,dando-lhes,noções de técnicas,regras e organização,através de atividades recreativas,educacionais e do próprio jogo.Além disso,procura-se inserir o aluno no ambiente social.

LITERATURA:

Visa proporcionar ao aluno a sua interação com o mundo das letras e da arte,ao mesmo tempo em que vivencia o processo de construção do conhecimento;desenvolver e incentivar o hábito e o gosto pela leitura enriquecendo seu vocabulário  e seus conhecimentos através de diferentes tipos de informação gráfica.

PSICOPEDAGOGIA INICIAL:

Oferece aos alunos atendimento pedagógico individual ou em duplas,trabalhando as dificuldades cognitivas e emocionais de cada um com acompanhamento às famílias.

GRUPO DE ARTES:

Usa a arte como um recurso a mais no processo de construção do conhecimento criando e recriando formas expressivas,interagindo percepção,imaginação,conhecimento,sensibilidade e criatividade.

GRUPO DE ARTESANATO:

Visa criar um espaço de experiência e produção,ampliando o conhecimento da comunidade frente às atividades desenvolvidas pela escola e a capaciadade criativa dos alunos PNE's.Inclui oficina de fuxicos,pintura em mdf,confecção de bolsas,guirlandas.

DANÇA E EXPRESSÃO:

Tem como objetivo trabalhar a expresssão corporal,através de teatros e coreografias,elaboradas com os alunos.O aluno se envolve neste trabalho e o resultado do mesmo é usado em apresentações para a comunidade.

LABORATÓRIO DE APRENDIZAGEM:

Esse projeto é oferecido aos alunos que frequentam as séries iniciais do ensino regular.É oferecido um acompanhamento do desenvolvimento do aluno.Trocas entre professores e técnicos que acompanham o aluno são feitas mensalmente através de reuniões entre a instituição e a escola de origem.

PROJETO INFORMÁTICA:

Possibilita o uso de jogos educativos relacionados com o conteúdo trabalhado em sala de aula,despertando para a aprendizagem significativa.A proposta é desenvolver o conhecimento e o uso das mais diversas ferramentas,possibilitando o uso de pesquisa virtual,o uso de endereços eletrônicos como forma de comunicação mais ágil,estimulando,assim o resgate da autoestima.

PROJETO CULINÁRIA:

Propicia inúmeras possibilidades para o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar,além de oferecer aos adolescentes o aprendizado de deliciosas receitas,oportuniza o convívio social,a colaboração,o aprendizado da matemática ( pesos e medidas),o conhecimento da escrita,o desenvolvimento das habilidades manuais,autonomia,cuidados com a higiene pessoal,a importância de uma alimentação saudável,bem como a satisfação de degustar algo produzido por eles, valorizando as possibilidades de cada participante.

HORTA:

Busca conscientizar os alunos de que a vida depende do ambiente,e isso é responsabilidade de cada cidadão do planeta:desenvolver a autonomia,organização e responsabilidade,através da escolha das sementes,plantio e cuidados com as plantas,sendo que o que for colhido será usado na merenda escolar e no projeto culinária.

 

 


 

 

 

ESTUDO DO CASO

Vou observar um aluno meu, seu nome é Lucas, não vou colocar seu nome inteiro pois a sua situação é de descaso por parte da família e não quero prejudicar ninguém.

Este menino já está comigo a dois anos na 4ª série da Escola La Salle, ele tem treze anos e possui um problema neurológico bem sério que dificulta a aprendizagem dele, sua concentração e principalmente seu rendimento. Tenho enfrentado muitos problemas com ele por já estar na adolescência acaba não se interessando pelas atividades e como ele é extremamente agitado acaba não fazendo nada e principalmente agitando o restante dos meus 30 alunos. Ele possui uma série de tiques nervosos bem complicados que muitas vezes assustam as pessoas que não estão acostumadas com ele.

Já falei milhares de vezes com a mãe que ele precisa ir a um neurologista mas a mãe insiste em dizer que o médico deu alta para ele e que suspendeu a medicação, e o pior de tudo que quem cria estes tiques é ele próprio. Sinceramente me sinto bem desamparada no caso deste menino pois não sei para quem apelar, pois ele precisa de ajuda.

Esta semana mais uma vez vou tentar falar com a mãe para exigir um laudo de um neurologista provando que ele não precisa de atendimento. Na minha escola este ano mudou a equipe diretiva e a coordenadora pedagógica e todas tem se mostrado interessadas pelo caso, vamos esperar que eu consiga desta vez um resultado diferente desta conversa pois sinceramente as vezes tenho vontade de eu mesma marcar uma consulta e levar ele a um especialista, pois a situação dele me deixa bem angustiada e o clima da sala de aula com certeza melhoraria caso ele tivesse o atendimento adequado, pois os outros alunos passam o tempo inteiro reclamando dele, pois além de tudo ele é bem agressivo com os colegas, que tem medo dele.


O Lucas tem sérios problemas de aprendizagem, pois em decorrência dos problemas neurológicos que tem ele tem dificuldade em se concentrar e até em ter paciência para copiar as atividades que são dadas. Apesar de já ter 13 anos e já ter repetido algumas séries ele tem dificuldades enormes na disciplina de matemática, não conseguindo nem resolver cálulos simples de adição e subtração, e muito menos divisão e multiplicação. Em compensação ele possui muita facilidade de coordenar as ideias eescrever textos muito bons com uma sequencia narrativa bem elaborada e nas apresentações em grupo ou até para explicar algo que eu acabei de dizer ele possui facilidade, muitas vezes maior que os colegas que não possuem nenhum problema. Na minha opinião o que está faltando para este menino é realmente o apoio da família e o trabalho de um médico sério que conseguirá encontrar uma solução para o problema do Lucas, para que finalmente ele consiga melhores resultados no futuro. Hoje (18/05) conseguimos entrar em contato com o padrasto do Lucas para finalmente podermos marcar uma hora com a mãe para conversarmos, pois a mãe está nos ignorando a duas semanas.


Finalmente depois de muitas tentativas consegui conversar com a mãe do Lucas, eu e a vice da tarde expusemos toda a situação e pelo que me pareceu ela entendeu que ele precisa ser levado ao médico e que a escola precisa de um laudo que comprove que o Lucas precisa de um atendimento diferenciado  para podermos promove-lo para uma 5ª série. Possivelmente ele vá ao médico já na semana que vem e, sinceramente estou bem ansiosa pelos resultados.

Esta semana (27/05) o Lucas está bem difícil de lidar, não está fazendo nada, só cantando na sala de aula e nem sequer está copiando as coisas no caderno. Seu comportamento piora muito quando um outro aluno meu que também possui defasagem na aprendizagem está na aula. Os dois juntos quase me enlouquecem, pois o outro menino tem 12 anos e é tri repetente de 4ª série. Este por sinal também encaminhei para um psicólogo para ver qual é o seu problema e possivelmente este também precise de um tratamento.

Tendo estes dois menino na sala de aula, com mais 29 alunos não é fácil, pois é tão difícil lidar com eles que muitas vezes acabo esquecendo dos outros  alunos em função destes dois que dão muito trabalho.

 


O Lucas completou treza anos no mês de abril, seus pais são separados. Ele mora com sua mãe que já casou novamente no ano passado e tem uma irmã mais nova, a Vitória, que está no 2º ano e tem 8 anos. Quase todos os finais de semana ele vai na casa do pai, que é músico e mora em Parobé. Com o pai nunca falei nem tive contato. O Lucas tem uma bisavó que é muito interessada e acessível, mas os problemas mais graves quase sempre trato com a mãe e uma vez com o padrasto que me pareceu ser bem interessado, pois os bilhetes e provas do Lucas estão vindo sempre com a assinatura do seu padrasto, que inclusive acompanha ele até a parada para pegar o ônibus para ir sozinho até a casa do seu pai.

Os pais dele não possuem uma situação econômica muito folgada, a mãe é faxineira e o padrasto, industriário. O Lucas vem sempre com as roupas meio rasgadas e um pouco sujas. Seu material segue o mesmo padrão, mas acredito que isso se deva a dificuldade que ele tem de se organizar, pois sempre que solicito algum material diferente ou temos uma ida ao teatro ou cinema o Lucas sempre participa e traz o que é necessário.

Ele estuda desde a pré escola no La Salle e repetiu ´praticamente dois anos cada série o que não garantiu que ele aprendesse muitas coisas, principalmente na área da matemática.

Ele sempre conta que quando estava na 1ª série ele pediu para ir ao banheiro para sua professora e por alguma razão ela não permitiu e ele foi até a lixeira e fez xixi nela mesma, na frente de toda a turma.

Não temos nenhum laudo dele na escola e não sei dizer se depois da conversa que tivemos com a sua mãe ela já providenciou um médico neurologista para fazer um diagnóstico para sabermos qual é o real problema do Lucas e qual a melhor forma de lidar com ele.

 


A duas semanas atrás, tive um problema com o Lucas, onde ele acabou se excedendo e com isso sendo bastante agressivo com um colega, inclusive machucando-o. Como as ocorrência de violência devem ser reportadas para as vice diretoras para que estas tomem providências, levei o Lucas para falar com a vice do turno da tarde e com a coordenadora. Como ele já possue um longo histórico, acharam por bem chamar sua mãe ou o responsável, que no caso é o padrasto, já que o pai não mora na cidade. Quando levei ele até a direção ele estava de um jeito que me deixou assustada, pois parecia que uma corrente elétrica estava passando pelo corpo dele, que fazia com que todo seu corpo tremesse principalmente seu braço, pois estas reações são mais fortes somente do lado direito do corpo dele. 

O padrasto veio, conversamos com ele e achamos melhor ele ir para casa, pois estava bem alterado. Neste dia demos um ultimato para os responsáveis pelo Lucas, que eles tinha até o dia 12/06/09 para tomarem providências e conseguirem um médico para tratar dele, pois caso contrário acionariamos o Conselho Tutelar com a alegação de abandono de menor. Não tivemos nenhuma resposta e esta semana estamos encaminhando esta denúncia.

Não sei se é o melhor caminho, mas com certeza foi o único caminho que conseguimos, pois já fazem dois anos que só eu pesso isso e a mãe não toma providências. Se der certo tenho certeza que apesar da medida drástica pelo menos conseguiremos um atendimento e um pouco de interesse por parte dos pais do Lucas. Caso não der pelo menos tenho a certeza de ter ido a quase as últimas consequências para algo que considero justo.

Na verdade, apesar de não ter filhos, mas não consigo conceber como uma mãe olhando para seu filho e vendo que ele tem algum problema que pode ser sério, não fazer o possível para ajudá-lo a superar isso. Tem certas coisa que não consigo entender, sinceramente não consigo.

 


A família a princípio pareceu interessada dizendo que iria levar ele ao médico para que fosse feito ao menos uma avaliação do caso dele, mas pelo visto a coisa ficou mesmo na conversa. Com toda a certeza teremos que mais uma vez chamar os responsáveis pelo Lucas para podermos conversar e mais uma vez cobrar medidas.

Segundo Lenise Henz Caçula Pistóia, em seu texto Alternativas no espaço da sala de aulacom alunos em situação de desvantagem, " Parte-se do princípio que o professor sozinho não será capaz de garantir a almejada qualidade de ensino. Portanto, ele precisa valer-se de iniciativas no âmbito escolar que se encaminhem para a construção de uma rede de relações sociais e para a inclusão de todas as crianças na escola. Para tanto, torna-se necessário um direcionamento para a

comunidade no estabelecimento de parcerias com os pais. É preciso tornar o trabalho

escolar conhecido e entendido em suas diretrizes básicas nos diversos segmentos da

comunidade escolar."Lendo este parágrafo em especial pude perceber o quanto estou sozinha em meu trabalho, pois não tenho sequer o apoio e o reconhecimento da família sobre o problema do Lucas. A orientadora da escola e a equipe diretiva rentam ajudar no que podem, mas encontam-se de mãos atadas da mesma forma que  eu. Os colegas da sala de aula até tentam ajudar da melhor forma possível, mas muitas vezes o comportramento do colega que as vezes é agressivo e faz brincadeiras inconvenientes acaba por afastá-los.

As contradições entre o que se lê e a realidade de sala de aula é gritante, pois no papel, inclusive no que tange as leis é tudo muito bonito e parece realmente dar certo, mas no dia-a-dia de sala de aula as coisas não são desta forma e muitas vezes a professora se vê em uma sala de aula superlotada e com um aluno com necessidades especiais sem o apoio da própria família e a escola podendo fazer muito pouco para ajudar, pois também não possui estrutura nem pessoal para auxiliar neste trabalho, que a partir do momento que não há o respaldo da família já está fadado ao insucesso.

A avaliação do Lucas é feita de forma diferenciada, focando mais naquilo que ele consegue fazer do que aquilo que ele realmente produz, mas como ele muitas vezes se recusa a fazer as coisas que são pedidas fica bem difícil avaliá-lo, tento focar naquilo que ele tem mais facilidade que é a escrita e na matemática peço para que faça aquilo que sabe e consegue.

Com essa avaliação é possível ver a facilidade que ele possui com a escrita e a dificuldade com o raciocínio lógico, pois várias vezes sentei ele ao meu lado e expliquei as quatro operações e ele não consegue evoluir nesta área, parece ter um bloqueio muito grande. tenho alunos na sala de aula que me auxiliam na monitoria judando os colegas com amis dificuldade e estes muitas vezes também tentam explicar para o colega e ele possui uma dificuldade grande também, mesmo usando o material concreto ele não consegue relacionar o processo com o que se está tentando explicar.

No caso do Lucas o que percebi também, foi que não houve uma preocupação das professoras anteriores com o aprendizado dele, pois pelos comentários que as vezes ouço delas próprias e de alguns colegas é que a preocupação era livrar-se dele logo, sem ter que ficar com ele mais de um ano, pois acredito que assim como ele conseguiu ser bem alfabetizado e tem esta facilidade em escrever e ler, houve uma certa negligência na parte da Matemática e que agora ele estando com 13 anos e passando por toda a fase da rebeldia e do despertar da sexualidade, próprios da adolescência, ele não está mais tão interessado assim em aprender coisas que ele deveria ter tido na 2ª série.

Analisando este caso mais a fundo percebo que sem apoio é difícil conseguir algo mais concreto em relação a um aluno com necessidade especiais, pois só atividades diferenciadas e uma avaliação diferente não dão conta dessa aprendizagem, quando o aluno em questão necessita de um acompanhamento médico e não possui.

Continuarei tentando e insistindo até obter um resultado, mas é difícil pois a resistência da família é muito grande e o aluno sozinho sem uma medicação não consegue se concentrar.

Acompanhando este caso e como tenho este aluno dois anos já, confesso que esta interdisciplina me causou uma certa revolta no início, pois não é fácil ver tudo o que deve ser feito e toda a movimentação que existe em torno da inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas sabendo que na prática e principalmente na rede estadual de ensino nada disso é feito, mas é de extrema importância conhecer como deveria ser feito e conhecer principalmente as leis para que sabe pelo menos poder argumentar a respeito e futuramente conseguir um melhor resultado em casos semelhantes. 

Comments (5)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:07 pm on Apr 8, 2009

Olá, Grace, esperamos que a disciplina consiga te dar subsidios que te deixem mais segura na tua pratica, mas pelo teu relato notamos que coseguiste muita coisa seguindo o teu instinto.
Abraços
MAria del Carmen

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:39 pm on Apr 20, 2009

Grace, este tipo de relato é muito bom, descreve muito bem como se sentiu um menino, percebe-se que ele não se via com problemas, e a tua intervenção serviu para ele melhorar, se aprimorar. Sempre digo que de nada adianta termos uma escola completa, com tudo para receber os PNEEs, e não ter professores que nem você, sensíveis, atentos ao comportamento do seu aluno, acreditou no seu aluno e com esta atitude o fez crescer, amadurecer. Parabéns!!!!
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 8:55 pm on Apr 22, 2009

Grace

muito bom teu relato..quero destacar especialmente a tua sensibilidade para ouvir teu aluno e a coragem para propor uma ação que alguns poderiam achar "politicamente incorreta" mas agistes bem...e este teu relato é algo que tenho percebido em outros locais...os serviços de apoio se tornarem espaços de exclusão em lugar de inclusão...porque ficam estigmatizados...em lugar de ser um lugar de privilegio é um lugar de castigo...o aluno fica ali como sendo punido..ele vive isso como culpa por ser diferente...é algo para pensar nao achas?
parabens mais uma vez!
lili

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:31 pm on May 30, 2009

Grace, muito bom o teu relato, destaco, tambem, a tua sensibilidade para narrar os fatos, conseguimos "sentir" a tua angustia pelo bem-estar do teu aluno. O teu relato esta bem adiantado.... esta faltando colocar a história de vida dele (em adamento esta semana). Mais uma vez, parabéns!!
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 10:07 pm on Jun 24, 2009

Grace
sabes explicar o que provocou a agressividade dele? o que houve naquele dia?
mais uma coisa, tiveram alguma posição recente da familia? o que o conselho tutelar irá fazer?
abraços
lili

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